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Canal de divulgação do CELE criado para aumentar a interatividade entre os frequentadores e amigos do Centro Espírita Luz da Esperança de São Francisco de Assis.
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14 Julho 2009

Ânimo e fé

A existência pode ter sido amarga.

Espinheiros talvez se te estendam no caminho.

Caíste, provavelmente, algumas vezes e outras tantas te reergueste, à custa de lágrimas.

Sofreste perseguições e zombaria.

O mundo terá surgido aos teus olhos por vasto deserto.

Anotaste a força da morte que te subtraiu a presença de entes caros.

Viste a deserção de companheiros, renegando-te os ideais.

Seres queridos ignoraram-te os propósitos de elevação.

Varaste crises em forma de fracasso aparentes.

Tiveste o menosprezo por parte de muitos daqueles aos quais te confiaste.

Ouviste as palavras esfogueantes dos que te condenaram sem entender-te.

Palmilhaste longas áreas de solidão.

Perdeste valores que consideravas essenciais à sustentação dos empreendimentos que te valorizam as horas.

Sofres tribulações.

Suportas conflitos.

Atravessas dificuldades e tentações.

Entretanto, por maior que seja a carga de provações e problemas que te pesam nos ombros, ergue a fronte e caminha para frente, trabalhando e servindo, amando e auxiliando, porque ninguém nem circunstância alguma te podem furtar a imortalidade, nem te afastar da onipresença de Deus.


Mensagem psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, publicada no livro Companheiro.
Fonte: O Consolador

12 Julho 2009

A faculdade de curar

A faculdade de curar, para manter-se íntegra, não deve permanecer precavida tão-somente contra o pagamento em dinheiro amoedado.

*

Há outras gratificações negativas a que lhe cabe renunciar, a fim de que não seja corroída por paixões arrazoadas que começam nos primeiros sinais de personalismo excessivo.

Imprescindível saber olvidar o vinho venenoso da bajulação, a propaganda jactanciosa, o perigoso elixir da lisonja e a aprovação alheia como paga es­piritual.

Quem se proponha a auxiliar aos enfermos, há que saber respirar no convívio da humildade sincera, equilibrando-se, cada instante, na determinação de servir.

*

Para curar é preciso trazer o coração por vaso transbordante de amor e quem realmente ama não encontra ensejo de reclamar.

*

Compreendendo as nossas responsabilidades com o Divino Médico, se queres efetivamente curar, cala-te, aprende, trabalha honrando a posição de servidor de todos a que Jesus te conduziu.

*

Auxilia aos ricos e aos pobres, como quem sabe que fartura excessiva ou ca­rência asfixiante são igualmente enfermidades que nos compete socorrer.

*

Ampara aos amigos e aos adversários, aos alegres e aos tristes, aos melhores e aos menos bons, como quem compreende na Terra a valiosa oficina de reajuste e elevação.

*

Reconheçamos que toda honra pertence ao Senhor, de quem não passamos de apagados e imperfeitos servidores.

*

Não te afastes da dependência do Eterno Benfeitor e, movimentando os próprios recursos, a beneficio dos que te cercam, guardemos a certeza de que, curando, seremos curados por nossa vez, soerguendo-nos, enfim, para a vitória real do espírito, em cuja luz os monstros da penúria e da vaidade, da ignorância e do orgulho não mais nos conseguirão alcançar.



Transcrito do cap. 18 do livro Mediunidade e sintonia, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
Site: O Consolador

09 Julho 2009

O Espiritismo na Era Digital, Uma Realidade Irreversível


A Era Digital tem ampliado e facilitado a vida humana em face do rápido acesso à informação. Nesse contexto, a Internet é a maior rede mundial, ligando muitos milhões de computadores de grande, médio e pequeno portes, com enorme quantidade de pessoas de interesses variados, seja nos negócios, nas pesquisas, no lazer, na comunicação, e tantas outras áreas quanto se possa imaginar. Destarte, a divulgação na Internet deve ser democrática, porém, aqueles que querem divulgar o Cristianismo devem ter a consciência da responsabilidade, procurando sempre saber as finalidades da divulgação e as suas conseqüências, porque a Internet não é só um excelente foro de debates, mas, sobretudo, bastante vasto e influente, atingindo proporções globais, colocando as idéias e imagens face a face com outras realidades sociais, políticas e culturais.

Há um site de vídeos que prega os ensinamentos cristãos, engrossando a disseminação religiosa na Internet. Porém, em meio às divergências veiculadas, chegam a gerar disputas virtuais entre comunidades virtuais. Com cerca de 4,8 mil vídeos, por exemplo, o GodTube (Broadcast Him!), segue o estilo do popular YouTube, e afirma utilizar a tecnologia Web para conectar cristãos com a finalidade de promover e disseminar o Evangelho no mundo. Porém, o site potencializa uma tendência de levar, para a Internet, a discussão de temas religiosos ortodoxos, que, em alguns casos, já chegou a causar problemas em alguns países árabes.

Recentemente, a mídia divulgou que o Governo do Paquistão bloqueou o acesso a sites, principalmente de vídeos, cujos conteúdos de suas páginas considera ofensivos ao Islã. Outros países, também, já bloquearam o acesso ao YouTube, como a Turquia e a Tailândia, gerando, logicamente, um estado de grande irritação por parte dos usuários, apesar de os provedores nada poderem fazer diante da imposição dos Governos fundamentalistas. Todavia, ao inverso dessa medieval intolerância, a Rainha Rania, da Jordânia, de forma inteligente, tem utilizado sites de vídeos contra o preconceito. A esposa do Rei Abdullah acredita que o mundo está passando por intensas mudanças, principalmente aquelas movidas pela força do instinto, em que a violência substitui o diálogo e a compaixão perde para o ódio. Ela sustenta a tese de que a Internet é um canal de comunicação de extrema importância entre Ocidente e Oriente e, por isso mesmo, decidiu usar o site de compartilhamento de vídeos para acabar com os estereótipos ligados aos árabes e ao Islã no Ocidente.

A Rainha jordaniana não é a única figura pública a se aproveitar da popularidade da Internet, e particularmente dos sites de vídeos, pois outros políticos e monarcas, ao redor do mundo, também se utilizam desse inigualável instrumento de comunicação, mas, obviamente, na condição de uma árabe de renome, usa a Internet para se relacionar com o Ocidente e promover o Islã moderado, sobressaindo-se às demais personalidades mundiais. A comunicação virtual é tão poderosa que a rainha Elizabeth 2ª da Inglaterra lançou seu próprio canal em website (um site de vídeos), onde mensagens, com sons e imagens, são compartilhadas. Ela afirmou que o novo meio de comunicação tem tornado a sua mensagem mais pessoal e direta. No YouTube, por exemplo, já há canais exclusivos do gabinete britânico e do Presidente da França, Nicolas Sarkozy.

A rigor, pela rede mundial de computadores, temos excelente meio de divulgação de idéias e informações, "em face da sua facilidade, versatilidade, abrangência, interatividade e baixo custo. "Pela Internet, consegue-se atingir, também, uma população anônima que não pode ou nem sempre vai a uma Casa Espírita. Portanto, o uso da tecnologia, em geral, e, especificamente, da tecnologia da informação dentro da Casa Espírita, e na Divulgação Interna e Externa da Doutrina dos Espíritos, é um recurso de real importância e de profunda utilidade nos trabalhos espíritas, sempre apoiados na razão, e respaldados na Ciência, na Filosofia e na Religião. Até porque, estamos vivendo tempos de globalização da informação, que tramita numa velocidade impressionante, com tendência a aumentar mais ainda." (1) Para a divulgação do Espiritismo, essa tecnologia avançada significa tempo ganho sobre o que teríamos a despender, repetindo, continuamente, as mesmas coisas, muito embora, a publicação de livros espíritas, sem dispensá-los, obviamente, vem contribuindo, significativamente, com a aceleração progressiva do movimento espírita.

Em entrevista para Revista O Consolador, de Londrina, Divaldo afirma: "a Internet, como tudo que o homem toca e corrompe infelizmente, tornou-se veículo de informações incorretas, de agressões, de desmoralizações, de infâmias, de degradação e de crime... mas também de grandiosas realizações que dignificam o gênero humano e preparam a sociedade para dias mais belos e mais felizes". (2) Allan Kardec previa, no século XIX, que "uma publicidade em larga escala, feita nos jornais de maior circulação, levaria ao mundo inteiro, até as localidades mais distantes, o conhecimento das idéias espíritas, despertaria o desejo de aprofundá-las e, multiplicando-lhes os adeptos, imporia silêncio aos detratores, que logo teriam de ceder, diante do ascendente da opinião geral." (3) Como se observa, a divulgação em grande escala se consegue, atualmente, através da rede de computadores, o que permite a troca de informações dos mais variados assuntos, enviar mensagens, conversar com milhões de pessoas ou, apenas, ler as informações de qualquer parte do planeta. Em face disso, cremos que ela tem o papel mais importante na divulgação do Espiritismo contemporâneo, apoiado no que Emmanuel ensina: "O Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade - a caridade da sua própria divulgação". (4)

Nos dias de hoje, existem inúmeros grupos de estudo e discussões sobre temas espíritas, na Internet, com um conteúdo magnífico. Não há dúvida de que é um excelente instrumento de divulgação, especialmente, pelo fato de atingir longas distâncias, e, até mesmo, outros países, onde a Doutrina Espírita, ainda, é pouco conhecida. Cremos que nós, os espíritas, não devemos resistir aos avanços da tecnologia, temos que nos acostumar com isso, e estarmos sempre atualizados, porque a geração que já se aproxima dominará essa linguagem e, se pudermos facultar a aquisição do conhecimento espírita a esses jovens do futuro, será um extraordinário projeto espiritual para a sociedade contemporãnea. "a Internet elimina as barreiras físicas e estabelece a ligação que permite que as notícias corram rapidamente o mundo, que novas idéias sejam apresentadas e debatidas, que exemplos sejam conhecidos e seguidos, que resultados sejam checados e validados. Nela estamos todos próximos, todos em condição de conhecer o que se passa nos vários cantos deste nosso mundo."(5)

Nesta Era Digital, os estímulos de fraternidade, entre as diversas instituições espíritas em nível mundial, serão factíveis pelo intercâmbio que poderá ser mantido e pela possibilidade de se elaborar cursos interativos, por exemplo, uma discussão da obra de André Luiz, apontando links relevantes entre os deferentes textos, e com comentários feitos por autores reconhecidos. Pela rede de computadores, surge uma nova Era para o movimento espírita, sobretudo, na diretriz dada por Ismael ao Brasil. Há dois mil anos, Paulo de Tarso teve que andar a pé, cerca de 500 mil quilômetros, para divulgar a Boa Nova. Hoje, Deus nos oportuniza, do conforto da nossa casa, participar de estudos interativos em "salas espíritas" - a exemplo do uso do Paltalk - e, com isso, espalharmos a Terceira Revelação aos mais longínquos recantos da Terra.

Por essas razões, o orador Divaldo Franco afirma "que se Allan Kardec estivesse reencarnado, nestes dias, utilizar-se-ia da Internet com a mesma nobreza com que recorreu à imprensa do seu tempo na divulgação e defesa do Espiritismo, diante dos seus naturais adversários" (6), e acrescenta: "comovo-me diante deste excelente recurso que diminui distância, ainda mais por sentir, participando deste nosso convívio, alguns benfeitores espirituais que estão a todos nos envolvendo em ondas de paz e vibrações de saúde, entre os quais, os Espíritos Eurípedes Barsanulfo, Cairbar Schutel, Joanna de Ângelis e Vinícius, igualmente felizes, abençoando a tecnologia e a informática utilizadas para o bem". (7)

Por essas relevantes razões, "é interessante que as Casas Espíritas busquem os recursos tecnológicos como retroprojetores, datashows, áudios, vídeos, filmes, microfones, caixas de som e todo ferramental disponível que seja útil e aplicável para o aprendizado das Verdades da Vida, mas, principalmente, através desse imenso e irreversível universo de utilização da Informação por meios eletrônicos." (8)

Jorge Hessen
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://jorgehessen.net

FONTES:
(1) Macedo, Reinaldo. Espiritismo e Tecnologia da Informação (palestra realizada em 25.08.08 por ocasião da 44ª. Semana de Confraternização dos CEs do Méier e Adjacências no CENMC - RJ). Reinaldo é o Webmaster do site http://jorgehessen.net - ver este estudo no ítem 44 de 2008.
(2) Franco Divaldo. Entrevista para Revista Eletrônica O Consolador, disponível em http://www.oconsolador.com.br/51/entrevista.html
(3) Kardec ,Allan. Obras Póstumas -Projeto 1868, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001
(4) Xavier, Francisco Cândido. Estude e Viva, Ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Cap. 40.
(5) Bernardo ,Carlos Alberto Iglesia. Espiritismo e a Internet, Artigo publicado no Boletim GEAE Número 282, de 3 de março de 1998.
(6) Franco. Entrevista para Revista Eletrônica O Consolador, disponível em http://www.oconsolador.com.br/51/entrevista.html
(7) Franco, em palestra virtual realizada dia 17/03/2000
(8) Macedo, Reinaldo. Espiritismo e Tecnologia da Informação (palestra realizada em 25.08.08 por ocasião da 44ª. Semana de Confraternização dos CEs do Méier e Adjacências no CENMC - RJ). Reinaldo é o Webmaster do site http://jorgehessen.net - ver este estudo no ítem 44 de 2008.

07 Julho 2009

A mediunidade de Carl Jung

por Flávio Bastos - flaviolgb@terra.com.br

"Viver psicologicamente significa imaginar coisas... estar na alma é experimentar a fantasia em todas as realidades". (Hillman)

Carl Gustav Jung, criador da psicologia analítica e que, ao contrário de Freud, afirmou que a libido não era apenas um impulso sexual instintivo, mas também uma energia psíquica geral, dirigida para a vontade de viver, teve, durante o decorrer de sua vida, experiências psíquicas que "transcenderam os limites do tempo e do espaço" como gostava de registrar.

A presente abordagem de relatos sobre algumas das experiências transcendentais de Jung, baseada em obras consultadas e que serão relacionadas no final deste artigo, não tem a pretensão de convencer o leitor sobre a teoria da imortalidade da alma (ou da reencarnação) e, sim, levá-lo ao exercício reflexivo sobre este importante tema, que conforme a ótica da psicologia clássica, "são apenas fenômenos psíquicos oriundos de efeitos ilusórios de nossos processos mentais".

PRIMEIRO RELATO: JUNG E A INFÂNCIA

No fundo sentia-me "dois": o primeiro, filho de seus pais, que frequentava o colégio, era menos inteligente, atento, aplicado, decente e asseado que os demais; o outro, pelo contrário, era adulto, velho, céptico, desconfiado e distante do mundo dos homens.

Perturbadíssimo, tomei consciência de que, na realidade, havia em mim duas pessoas diferentes: uma delas era o menino de colégio que não compreendia matemática e que se caracterizava pela insegurança; o outro era um homem importante, de grande autoridade, com quem não se podia brincar - mais poderoso e influente que aquele industrial. Era velho, que vivia no século XVIII, usava sapatos de fivela, peruca branca e tinha, como meio de transporte, uma caleça cujas rodas de trás eram grandes e côncavas e entre as quais o assento do cocheiro ficava suspenso por meio de molas e correia de couro.

SEGUNDO RELATO

Observação: Nesse caso particular, o motivo que o fez recordar foi um incidente na casa de um colega onde passava um período de férias. O dono da casa chamou-lhe enérgicamente a atenção, por causa de uma brincadeira com um barco - que fora proibida -, e que por pouco não terminou em tragédia.


Cabisbaixo, reconheci que fizera justamente o que fora proibido. A repressão era, pois, merecida. Mas ao mesmo tempo senti uma raiva de que aquele homem grosseiro, gordo e sem instrução ousasse insultar-me! E não me sentia apenas como um ser adulto, mas como uma autoridade, uma pessoa cheia de importância e dignidade.

O contraste com a realidade era de tal forma grotesco, que meu furor desapareceu de repente. Surgiu, então em mim a pergunta: "Mas afinal quem é você para reagir como se fosse sabe lá o diabo, quem. E é claro que é o outro que está com a razão. Você é um colegial de doze anos, ao passo que o outro é um pai de família, um homem rico e poderoso que possui duas casas e vários cavalos magníficos".

TERCEIRO RELATO

Certo dia, quando habitávamos em Klein-Hüningen, perto da Basiléia, um fiacre verde, muito velho, passara diante da nossa casa vindo da floresta negra. Era uma caleça antiga, como as do século XVIII. Assim que vi, um sentimento de exaltação se apoderou de mim: "Ah, hei-la! É do meu tempo! - tinha a impressão de reconhecê-la, era semelhante aquela que me transportaria! Depois fui invadido por um sentimento estranho, como se eu tivesse sido roubado ou ludibriado no tocante ao meu amado outrora. O fiacre era um vestígio daquele tempo! É difícil descrever o que passou comigo e o que me emocionou tão fortemente: uma espécie de nostalgia? Uma saudade? Uma reminiscência? Era isso, era exatamente isso!".

QUARTO RELATO

Houve ainda um outro incidente que me lembrou do século XVIII. Vira, em casa de uma tia, uma estatueta dessa época, que representava dois personagens em terracota pintada. Um deles era o velho Dr. Stuckelberger, personalidade famosa da cidade de Basiléia. A outra figura representava uma de suas pacientes, com os olhos e a língua de fora. Havia uma lenda a respeito disso. Ora, a figura do velho doutor tinha sapatos de fivela que reconheci estranhamente como meus ou semelhantes aos meus. Estava convencido disso. "Usei esses sapatos". Esta convicção me perturbara de um modo profundo. "Sim, eram realmente os meus sapatos!". Eu os sentia nos pés e não podia compreender essa estranha sensação. Como poderia pertencer ao século XVIII? Acontecia-me, às vezes, datando, escrever 1786 em lugar de 1886 e isto era sempre seguido de um sentimento de inexplicável nostalgia.

QUINTO RELATO: O JUNG ADULTO E OS SONHOS

Recentemente, observei em mim mesmo uma série de sonhos que, com toda a probabilidade, descrevem o processo da reencarnação de um morto de minhas relações. Era mesmo possível seguir, com uma probabilidade não totalmente negligenciavel, certos aspectos dessa reencarnação até a realidade empírica. Mas como nunca mais tive ocasião de encontrar ou tomar conhecimento de algo semelhante, fiquei sem a menor possibilidade de estabelecer uma comparação. Minha observação é, pois, objetiva e isolada. Quero somente mencionar a sua existência, mas não o seu conteúdo. Devo confessar, no entanto, que a partir dessa experiência observo com a maior boa vontade o problema da reencarnação, sem, no entanto, defender com segurança uma opinião precisa.

SEXTO RELATO: A APARIÇÃO DO ESPÍRITO DE UM AMIGO

Uma noite, estava deitado, acordado, pensando na morte súbita de um amigo cujo funeral tinha ocorrido no dia anterior... de repente, senti que ele estava no quarto. Pareceu-me que estava de pé ao lado de minha cama e me pedia que fosse com ele. Eu o segui em minha imaginação. Ele me levou para fora da casa, pelo jardim até a rua e finalmente até a sua casa. Subiu em um banquinho e mostrou-me o segundo dos cinco livros encadernados de vermelho da segunda prateleira a partir do alto. Essa experiência pareceu-me tão curiosa que, na manhã seguinte, fui até a sua viúva e perguntei se podia procurar uma coisa na biblioteca de meu amigo. Evidentemente havia um banquinho diante da estante, como em minha visão, e mesmo antes de chegar perto vi os livros encadernados de vermelho. O título do segundo volume era: "O legado dos mortos".

AS CONCLUSÕES DE JUNG SOBRE A IMORTALIDADE DA ALMA

Em 1956, respondendo ao senhor H. J. Barret, dos Estados Unidos, escreve Jung sobre sua crença na imortalidade da alma:

Ainda que meu tempo seja escasso e minha idade avançada um fato real, tenho gosto em responder às suas perguntas. Não são fáceis como, por exemplo, a primeira: se eu acredito numa sobrevivência pessoal após a morte. Não poderia dizer que acredito nela, pois não tenho o dom da fé. Só posso dizer que sei alguma coisa ou não, como tentarei expor a seguir.

1. Sei que a psique possui certas qualidades que transcendem os limites do tempo e do espaço. Em outras palavras, a psique pode tornar elásticas essas categorias, ou seja, 100 milhas podem ser reduzidas a uma jarda, e um ano a poucos segundos. Isto é um fato do qual temos todas as provas necessárias. Além disso, há certos fenômenos pós-mortem que eu não consigo reduzir a ilusões subjetivas. Por isso, sei que a psique pode funcionar com o empecilho das categorias de espaço e tempo. Ergo ela própria a um ser transcendental e, por isso, relativamente não espacial e "eterna". Isto não significa que eu tenha qualquer tipo de certeza quanto à natureza transcendental da psique. A psique pode ser qualquer coisa.

2. Não há razão alguma para supor que todos os chamados fenômenos psíquicos sejam efeitos ilusórios de nossos processos mentais.

3. Não acho que todos os relatos dos chamados fenômenos miraculosos (como precognição, telepatia, conhecimento supranormal, etc.) sejam duvidosos. Sei de muitos casos em que não paira a mínima dúvida sobre sua veracidade.

4. Não acho que as chamadas mensagens pessoais dos mortos devam ser rechaçadas in globo como ilusões. Immanuel Kant disse certa vez que duvidava de toda história individual sobre fantasmas, etc., mas se tomadas em conjunto, havia algo nelas. Eu examino minuciosamente o meu material empírico e devo dizer que, entre muitas suposições arbitrárias, há casos que me fazem titubear. Tomei como regra aplicar a sábia frase de Multatuli: "Não existe nada que seja totalmente verdadeiro, nem mesmo esta frase".

LIVROS CONSULTADOS
Argollo, Djama. JUNG E A MEDIUNIDADE
Jung, Gustav, Carl. PSICOLOGIA E RELIGIÃO
Richter, Lorena. REFLEXÕES CLÍNICAS SOBRE A TEMÁTICA DA RELIGIÃO 

06 Julho 2009

Cão ajuda na recuperação de crianças internadas


Labrador “Doutor Chico” faz visitas semanais a “pacientes mirins” em Guarulhos

Todas as sextas-feiras, a cena se repete. “Doutor Chico” veste seu avental branco para percorrer a enfermaria e atender os pacientes que estão internados no Hospital Municipal da Criança, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.

A visita é feita de quarto em quarto e serve para auxiliar na recuperação das meninas e meninos que estão no local. O trabalho tem a colaboração do adestrador Robson Dertinatti, que é proprietário do “Doutor Chico” – um labrador preto de dois anos e sete meses.

“Está comprovado cientificamente que a zooterapia [terapia realizada com a presença de bichos] aumenta a autoestima e ajuda na recuperação da saúde das pessoas”, diz Robson Dertinatti, que há cinco anos desenvolve ações voluntárias em asilos e orfanatos da cidade. Segundo o adestrador, o animal serve como uma espécie de canal de amor e de cura para os pacientes, especialmente no caso das crianças.

“Com a visita do ‘Doutor Chico’, procuramos reproduzir o ambiente do lar. Ao fazer isso, conseguimos acelerar o processo de cura e, consequentemente, diminuímos o período de permanência da criança no hospital”, afirma a médica e diretora do Hospital Municipal da Criança, Heloísa Helena Sampai

Fonte: http://www.adjorisc.com.br/jornais/obarrigaverde/noticias/index.phtml?id_conteudo=176837&id_secao=18

Contribuição: mcamuri@hotmail.com

03 Julho 2009

Pineal, a glândula da vida mental


Uma análise sob a ótica médica e espírita desta glândula que regula desde o funcionamento harmônico do corpo ao processo mediúnico


No séc. XVII, Descartes ensinava que a glândula pineal ou epífise era a sede da alma. No entanto, até há pouco tempo, essa estrutura cerebral era considerada simplesmente um orgão vestigial, um resquício do fotorreceptor dorsal ou terceiro olho presente em certos vertebrados inferiores.

Conhecida das religiões orientais, ela era particularmente festejadas entre os hindus como um dos componentes dos chacras coronário, a flor de mil pétalas. Mas somente a partir de 1945, com o lançamento do livro Missionários da Luz, recebido pelo médium Chico Xavier, tivemos mais amplas revelações quanto às funções da pineal no complexo mente-corpo-espírito. Nele, o autor espiritual André Luiz, pseudônimo de respeitado médico e cientista do início do século, falecido no Rio de Janeiro, expressando-se mais na condição de repórter do que de pesquisador, explica as funções, até então desconhecidas, da pineal. "Não se trata de órgão morto, mas poderosa usina", esclarece. Essas e outras informações preciosas podem ser resumidas em cinco itens:

a) A pineal segrega hormônios psíquicos ou "unidades-força" que controlam as glândulas sexuais e todo o sistema endócrino. Na puberdade, acordam no organismo do homem as forças criadoras. Aos 14 anos, aproximadamente, deixa a ação frenadora que exercia durante o período infantil e recomeça a funcionar como fonte criadora e válvula de escapamento. A partir da adolescência promove, portanto, a recapitulação da sexualidade, faz com que a criatura examine o inventário de suas paixões vividas em outras existências, que reaparecem sob fortes impulsos. Tanto os cromossomos da bolsa seminal como os do ovário recebem sua influência direta e determinada. Desse modo, sua posição na experiência sexual é básica e absoluta; b) Preside os fenômenos nervosos da emotividade, como órgão de elevada expressão do corpo espiritual; c) Comanda as forças subconscientes sob a determinação direta da vontade, graças à sua ligação com a mente, através de princípios eletromagnéticos do campo vital; d) Supre de energias psíquicas todos os armazéns autônomos dos órgãos; e) É a glândula da vida mental, um dos principais constituintes do centro coronário, o mais importante centro vital do psicossoma ou corpo espiritual, instalado no diencéfalo.

Como vemos, em 1945, André Luiz revelou funções extremamente especializadas e importantes da pineal na economia orgânica, não suspeitadas ainda pela pesquisa médica terrestre, e foi além, afirmando que estamos plugados a outras dimensões da vida através dela. Durante a tarefa mediúnica, a epífise torna-se extremamente luminosa. Nesse momento, entram em jogo vibrações sutilíssimas, não detectadas por aparelhos comuns. A providência divina dotou essa pequenina estrutura, semelhante a uma ervilha e com o formato de um cone, que não pesa mais de 100 mg, de uma extraordinária potencialidade laboratorial que permite traduzir estímulos psíquicos em reações de ordem somática e vice-versa, colocando o ser encarnado em permanente contato com o mundo espiritual que é eterno, primitivo, preexistente.

Sono e envelhecimento

Muitos estudos foram feitos para se determinar, no homem, quais os efeitos da luz sobre a produção de melatonina (hormônio do sono). Concluiu-se que a luz do sol ou uma forte luz artificial determina a supressão da secreção de melatonina. Normalmente, o organismo tem um padrão constante de atuação, em que há altos níveis de secreção da melatonina à noite e baixos durante o dia. A luz exerce, portanto, papel primordial na regulação do hormônio pineal e atua em ciclos de 25 ou 26 horas. Os estudos cronobiológicos de Wurtman a respeito da melatonina levaram, inclusive, à utilização da luz artificial intensa para alguns casos de depressão, com bons resultados.

O escuro influencia, portanto, elevando a taxa de produção da melatonina. É possível que, intuitivamente, o homem sempre soubesse disso, porque desde os tempos imemoriais, desde as cavernas primitivas, ele tem procurado realizar seus intercâmbios com o outro lado da vida em ambientes muito pouco iluminados.

Mas não somente a luz, também o pólo magnético da Terra tem influência direta sobre o seu funcionamento.

Foram demonstradas a variação de melatonina conforme as estações do ano e sua influência na reprodução sazonal dos animais e nos fenômenos de hibernação. No homem também está presente essa variação sazonal. Nos velhos há uma redução desse processo hormonal, mas os pesquisadores não acreditam que ela esteja relacionada com a calcificação, mas a outros fatores.

A produção máxima de melatonina é alcançada durante o sono e coincide com os períodos de maior escuridão.

Observou-se que pacientes com jet-lag têm desordens dos ritmos circadianos, com perturbação nos níveis de produção da melatonina: picos em horários anormais e falta de sincronização. Há, nesses casos, um distúrbio do sono, da concentração, da fadiga, da capacidade de concentração etc.

Sistema imunológico

Sabe-se que o sistema imunológico apresenta ritmo circadiano e sazonal no cumprimento de suas funções, o que indica que ele, provavelmente, tem a sua atividade regulada pela pineal. Já se constatou essa dependência em experiências com animais.

Do mesmo modo, verificou-se que a retirada da pineal provoca um crescimento do tecido do tumor canceroso, enquanto que a administração de melatonina produz efeito contrário. Sobretudo, no câncer de mama, parece que a secreção baixa de melatonina pode influir no seu desenvolvimento.

Tudo indica que ela também tenha um papel no estresse. Já se constatou relação direta entre níveis de produção de melatonina com fadiga e sonolência em indivíduos submetidos à constante privação do sono e de informação quanto ao período claro-escuro.

Em ratos pinealecomizados (privados de pineal) houve indução da hipertensão arterial que foi bloqueada com a administração da melatonina. É provável também a sua influência nas alterações da mielina e no glaucoma.

Há ainda relatos de influência da pineal em doenças neurológicas, como a epilepsia, doença de Parkinson, esclerose lateral aminotrófica e em distúrbios endócrinos, como a síndrome de Turner, hipogonadismo etc.

Centro das emoções

"Se pudéssemos apontar para um centro das emoções no cérebro, esse o seria o hipotálamo. Isso significa apenas que é nesse nível que os vários componentes da reação emocional são organizados em padrões definitivos", afirma Marino Jr.. De fato, o hipotálamo faz parte de um sistema complexo responsável pelo mecanismo que elabora as funções emotivas, o sistema límbico de Maclean.

André Luiz afirma que a pineal preside os fenômenos nervosos da emotividade. Já vimos que dois núcleos hipotalâmicos sofrem a sua ação direta. Cremos que é uma questão de tempo para a constatação científica dessa informação mediúnica.

Altschule (1957), Eldred et al. (1961) e outros autores têm realizado importantes estudos que demonstram a ação benéfica de extratos pineais sobre alguns esquizofrênicos.

Hartley e Smith (1973), com os resultados de seus trabalhos na Escola de Farmácia da Universidade de Bradford, Inglaterra, estão inclinados a admitir que, nos casos de esquizofrenia, a HIOMT, enzima responsável pela sintetização da melatonina, estaria agindo sobre substratos anormais, produzindo as substâncias implicadas na moléstia. Como a enzima age em um ritmo circadiano, é possível que na esquizofrenia ela trabalhe fora de fase com seu substrato, favorecendo uma transmetilação anormal. Há indícios de implicação da pineal na etimologia dessa moléstia, mas os estudos precisam avançar mais para que se chegue a uma conclusão definitiva.

André Luiz, o médico desencarnado, afirma que a pineal é a glândula mestra, aquela que tem ascendência sobre todo o sistema endócrino.

Neste artigo, citamos importantes pesquisadores que já detectaram a ação da melatonina sobre o hipotálamo, estrutura nobre considerada, até a presente, como responsável pelo sistema endócrino. Vimos também a ação gonadal desse hormônio sobre a reprodução sazonal dos animais em diversos distúrbios endócrinos.

Wurtman lembrou muito bem que nenhuma glândula foi tão exaustivamente pesquisada como a tireóide. No entanto, só muito recentemente foi detectada a tireocalciotonina, hormônio tireoideano de tão grande significado fisiológico. Com esse apontamento, ele quis ressaltar o número ainda restrito de pesquisa sobre a pineal, uma vez que elas só começaram em meados deste século, enquanto as outras glândulas endócrinas já vinham sendo alvo de investigação há muitas décadas. Na verdade, a pesquisa médica vai evoluir muito mais no próximo milênio. Não se pode esquecer que o perispírito ainda é um ilustre desconhecido e sua simples descoberta por parte da ciência oficial, com possibilidade de investigação laboratorial, contribuirá para a mudança definitiva do enfoque materialista-mecanicista em que ela está lastreada. Aliás, só se conhecerá o potencial integral da pineal com as pesquisas concominantes do psicossoma. A verdadeira usina de luz em que ela se transforma, durante o fenômeno mediúnico, segundo descrição de André Luiz, só poderá ser detectada por lentes que alcancem a quarta dimensão.

Quanto a revelação de que ela é o centro das emoções, já vimos que é ainda o hipotálamo considerado como tal. Estudando, porém, o sistema límbico e suas conexões com a habênula (epitálamo) e as inter-relações desta glândula pineal, não é difícil prever que o aprofundamento das pesquisas determinarão mais ampla participação desta última no mecanismo das emoções.

O autor espiritual relata ainda, em seus estudos, que a pineal comanda as forças subconscientes sob a determinação direta da vontade. Ele entende como forças subconscientes todo o arquivo da personalidade encarnada relativo a experiências de outras encarnações, desde a fase pré-racional até os dias presentes. Este assunto é tão amplo e importante que exigiria um outro artigo muito mais extenso do que este, inclusive com considerações psicanalíticas.

A pineal supre de energias psíquicas todos os armazéns autônomos dos órgãos. Aqui é útil lembrar que em outro livro – Evolução em Dois Mundos – André Luiz introduz o conceito de bióforos, esclarecendo que são estruturas do corpo espiritual presentes no interior da célula e com atuação marcante no seu funcionamento. Como exemplo, ele cita os mitocôndrios que acumulam energias espirituais sob a forma de grânulos e imprimem na intimidade celular a vontade do espírito. Desse modo, todos os estados mentais felizes e infelizes refletem-se sobre a economia orgânica.

Função espiritual

Finalmente, é preciso considerá-la como glândula da vida mental. Já comentamos estudos que a colocam na etiologia de doenças como esquizofrenia.

É preciso considerar também o que Philip Lansky descreve sobre a conversão da melatonina em 10-methoxyharmalan, um potente alucinógeno. Em seu artigo – Neurochemistry and the Awakening of Kundalini – Lansky enfoca o processo pelo qual se dá a transmutação de energia sexual em psíquica, procurando explicar, neuroquimicamente, a experiência vivida por Gopi Krishna em sua autobiografia. Esse é o trecho descrito por Krishna, denominado kundalini:

"Durante uma dessas intensas concentrações, eu subitamente senti uma estranha sensação na base da espinha, no lugar onde toca o assento, enquanto eu sentei de pernas cruzadas em um tapete dobrado espalhado no chão. A sensação foi tão extraordinária e prazerosa que minha atenção foi dirigida forçosamente para isso. No momento em que minha atenção foi então inesperadamente para o ponto onde foi focalizado, a sensação cessou... Quando completamente imerso, de novo experimentei a sensação, mas, desta vez, ao invés de alongar minha mente até o ponto onde eu tinha fixado, eu mantive uma rigidez de atenção para fora. A sensação de novo estendeu-se para cima, crescendo em intensidade, e eu senti a mim mesmo flutuando; mas com um grande esforço, eu mantive minha atenção centrada ao redor da lótus. De repente, eu senti uma corrente de líquido luminosa entrando em meu cérebro através da medula espinhal".

Ao buscar explicações neuroquímicas para a experiência espiritual, Lansky faz as seguintes observações: A) os conceitos tradicionais conhecidos revelam uma interação entre os centros sexuais dos chacras inferiores e os centros psíquicos localizados no cérebro, nos chacras superiores ; b) a experiência de Gopi Krishna envolve a percepção subjetiva da luz. Esse fenômeno mental poderia ser chamado de "alucinatório"; c) o chacra superior, o mais importante deles, está associado à glândula pineal.

Em seguida, Lansky faz conciderações sobre a melatonina, sobre suas funções ainda em grande parte desconhecidas, ressaltando as experiências que evidenciam o efeito inibitório sobre mamíferos, machos e fêmeas, e também o inverso, os hormônios sexuais, testosterona, estrógeno e progesterona inibindo a biossíntese da melatonina. E ressalta também o que já está muito estabelecido, que a pineal está envolvida na percepção da luz.

Nesse ponto, Lansky diz que a melatonina pode se transformar em 10-methoxyharmalan, que é um potente alucinógeno. Isso poderia explicar também as alucinações que ocorrem em diferentes desordens mentais. Como se vê, a experiência do nascimento da kundalini e de sua transformação parece envolver diretamente a pineal.

É interessante destacar também que ela permite ao homem reencarnado adaptar-se ao tempo da terceira dimensão, bem como faculta-lhe a percepção, durante o fenômeno mediúnico, do tempo em outras dimensões. O fato de que ela provê o organismo de um tempo circulante parece estar ligado à sua atividade rítmica em torno de 24 horas, que produz maior ou menor quantidade de melatonina, conforme os períodos de obscuridade e de claridade.

Na realidade, o olho humano deixa passar a informação de claro-escuro, mas só a pineal é capaz de interpretar mais amplamente os dados ambientais, inclusive aquele do pólo magnético da Terra, sob a direção da mente.

É interessante lembrarmos aqui as pesquisas da NASA sobre médiuns brasileiros do estado de Minas Gerais. Eles detectaram a aura recorde de Chico Xavier, com mais de 20 metros, e procuraram relacionar os dados sobre o magnetismo terrestre desse Estado brasileiro – os índices mais baixos do mundo – com a incidência de médiuns excepcionais. Segundo as informações espirituais, deve haver relação direta porque a pineal funciona também com base no pólo magnético da Terra. Essas três experiências, portanto, não devem ser negligenciadas pelos pesquisadores da pineal. Mas ela ainda tem a nobre missão de facultar ao homem a percepção de uma outra luz que promana do mundo espiritual em fenômeno conhecido de tempos imemoriais, o da mediunidade, capaz de impulsionar o homem para as mais amplas e definitivas conquistas.


Dra. Marlene Nobre

Presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil - AME
Este artigo e a imagem foram publicados na Revista Cristã de Espiritismo, edição especial 08.

30 Junho 2009

Estresse e espiritualidade

Por Dra Marlene Nobre

Para o grande público, estresse é uma situação psicologicamente agressiva que repercute no corpo. Este, porém, é apenas um dos aspectos do estresse, a sua versão psicossomática, há outros, porém, a serem considerados. Na verdade, o ser humano vive em estado de estresse permanente, bombardeado por fatores estressantes diversos - físicos, psico-emocionais, e espirituais - que lhe exigem constante adaptação ao mundo que o cerca.

Os fatores estressantes emocionais tanto podem ser tristes, como a morte de um ente querido, o desemprego, quanto felizes, como o sucesso do atleta ou as alegrias do reencontro - todos desencadeiam, do mesmo modo, os mecanismos e as conseqüências do estresse. O mesmo acontece em relação aos abalos nervosos, como no estado de cólera, medo, etc., assim como frente aos fenômenos físicos nocivos -frio, calor, fadiga, agentes tóxicos ou infecciosos, jejum, exercícios físicos exagerados, etc.

Na verdade, o estresse é a resposta não específica que o corpo dá a toda demanda que lhe é feita. Ele corresponde à interação entre uma força e a resistência do organismo a esta força. É o complexo agressão-reação.

Se a agressão é ocasionada por uma grande diversidade de fatores, a reação comporta uma parte idêntica, comum a todos os indivíduos, e uma parte própria de cada um, denominada "coping" ou aspecto específico da reação não específica.

A medicina hoje considera a doença como sendo a resultante da agressão mais a reação não específica, mais reação específica. Isto pode ser resumido em estresse mais coping. Desse modo, considera-se a originalidade própria das reações específicas ao agente estressor, superpostas às reações não específicas do estresse, criando a diversidade dos aspectos clínicos.

Em 1936, Hans Selye, descobridor do estresse, publicou os seus primeiros trabalhos sobre o assunto. Em 1950, descreveu a Síndrome Geral de Adaptação - Reação de Alarme, estágio de Resistência e de Exaustão - com seus aspectos bioquímicos e endócrinos, mostrando qual a reação não específica do organismo às agressões do mundo exterior. Para ele, a intensidade da demanda, a duração e a repetição determinam a resposta. E condiciona o bom ou o mau estresse à eficiência ou não da fase de adaptação. Para Selye, todo indivíduo tem um capital de energia biológica diferente e pode consumir suas reservas conforme tenha maus estresses.

Na reação de alarme, a primeira resposta do organismo ao estresse, entra em ação o sistema hipotálamo-simpático-adrenérgico que prepara o organismo para a luta ou fuga. Entram em jogo a adrenalina e a noradrenalina, com isso, há muita produção de glicogênio, taquicardia, respiração acelerada, concentração do sangue nos vasos principais e nos músculos estriados, inibição dos sistemas digestivo, sexual e imunológico. Depois disso, outro sistema vai entrar em jogo, o hipotálamo - hipófiso-suprarrenal com produção de ACTH e corticóides.Esses sistemas entram em funcionamento na fase de reação e o organismo pode sofrer esgotamento ou entrar na fase de exaustão, tendo como resultado final doença e morte. São inúmeras as doenças de adaptação, entre elas, hipertensão, úlcera, hemorróidas, ataques cardíacos, acidente vascular cerebral, diabetes, enxaqueca, etc.

Hoje, como avanço dos estudos, considera-se o sistema limbo-hipotálamo-hipófiso-suprarrenaliano (LHHS). Através do hipotálamo na zona parvocelular mediana do núcleo paraventricular (NPV), são liberados o CRF, o Fator de liberação corticotrófico (Corticotrophin Releasing Factor) e a Argenina Vasopressina (AVP) - que determinam a liberação de ACTH pela hipófise e esta o cortisol pela suprarrenal.Com vemos, o estresse está ligado ao centro das emoções no hipotálamo, assim é importante o estudo de fatores como o medo, a raiva, etc, nos seus mecanismos e reações. Assim, quando o indivíduo sente raiva, por exemplo, é como se ele estivesse diante de um predador, de um perigo iminente e isto desencadeia a reação.
Como vimos, cada indivíduo tem uma reação específica frente ao estresse. Ele coloca suas estratégias de ajuste cognitivas e comportamentais, o "coping", para fazer face aos agentes estressores.

As pesquisas têm demonstrado que doenças como depressão estão absolutamente ligadas ao estresse. Investigação ampla, realizada em 52 países, da qual participou o dr. Alvaro Avezum, do Brasil, acerca dos fatores de risco da doença cardíaca, demonstrou que os psico-sociais entram em mais de 30% dos casos.

O estresse é o campo da medicina que reunifica corpo e alma. O seu estudo está, portanto, intimamente ligado à espiritualidade.Segundo as lições espirituais dadas em 1947, no livro No Mundo Maior, o nosso cérebro tem três áreas distintas: a inicial, onde habita o automatismo e que está no plano subconsciente, a do córtex motor que engloba as conquistas do hoje e está na área do consciente e a dos lobos frontais que representam o ideal e a meta superiores e estão vinculados ao superconsciente. Esta classificação encontra respaldo no livro de Paul Maclean, de 1968, The Triune Brain in Evolution, que nos fala acerca dessas três regiões, afirmando que vemos o mundo através de três cérebros distintos.

Aprendemos também com os Instrutores Espirituais que somos seres em evolução. Quanto mais perto nos encontramos da animalidade mais agimos com instintos e sensações. Com o passar do tempo, e a evolução espiritual conseqüente, passamos a ter sentimentos, sendo o amor, o mais sublimado deles.Se estamos escravizados aos instintos, a maneira pela qual fazemos face aos fatores estressantes é muito primitiva e resulta quase sempre em um mau estresse.

Aprendemos também que é preciso humildade para vencer a animalidade inferior. Infelizmente, porém, em nossas relações em sociedade e no lar estamos muito longe desse sentimento sublime que está intimamente ligado ao amor.

Assim, a fé é importante porque abre as portas do coração para sentir e viver o amor divino em nossas vidas. Através da oração, da meditação, da compreensão do valor da dor, temos a possibilidade de conhecermo-nos a nós mesmos e a reagirmos de forma mais equilibrada às tensões da existência humana. Compreendemos, igualmente, que é preciso treino para o perdão e para eliminação da raiva, da inveja, da mágoa e de outros sentimentos negativos.

A nossa busca da paz para viver no lar, no ambiente de trabalho, dentro da sociedade tem de ser centralizada em Jesus, o Médico da Almas, que afirmou ter a paz verdadeira para nos oferecer. Chico Xavier disse com muita sabedoria: "A paz em nós não resulta de circunstâncias externas e sim da nossa tranqüilidade de consciência no dever cumprido." Para vencer positivamente o estresse é preciso guardar a paz, tê-la como patrimônio. E esta pacificação interior que é responsável pelo sucesso do "Coping", só será uma conquista definitiva quando houver harmonia entre os três cérebros. Para isso, no entanto, é imprescindível não esquecer que é preciso fé em Deus e obediência às Suas Leis.

Fonte: http://medicinaespiritual.blogspot.com

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